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22 de agosto de 2023
19 de março de 2019
Onça na Serra dos Cocais
Onça na Serra dos Cocais, bairro Alpinas.
https://globoplay.globo.com/v/7461924/
6 de janeiro de 2014
Curso de Modelagem de Corredores Ecológicos
Nossa associação esteve presente:
ICMBio, UNESP e TNC oferecem curso de Modelagem de Corredores Ecológicos
Por Milton Ribeiro
Iniciou-se nesta segunda-feira (16/12/2013) com programação até sexta-feira (20/12/2013), o curso Modelagem de Corredores Ecológicos & Pagamento por Serviços Ambientais. O curso está sendo oferecido pelo Laboratório de Ecologia Espacial e Conservação (LEEC) da UNESP de Rio Claro, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio/MMA) e a The Nature Conservancy – TNC Brasil. Tal iniciativa faz parte do projeto “Pagamento por Serviços Ambientais - Corredor das Onças”, coordenado pelo ICMBio no interior de São Paulo, e “Ecologia da paisagem: integrando ecossistemas e a urbe”, LEEC/UNESP. Durante o curso os participantes aprenderão como mapear e identificar fragmentos florestais e áreas mais propícias para criar corredores de ligação entre esses fragmentos, os chamados “corredores ecológicos”. Também é objetivo do curso identificar áreas de maior importância para restauração ecológica em uma agenda de compensação ambiental regional.Dentre os objetivos do projeto Corredores das Onças destaca-se conservar a biodiversidade e melhorar a qualidade e quantidade de água na região do interior paulista, reconectando fragmentos florestais e reflorestando as margens dos rios e suas nascentes. Com isto, melhoramos de forma significativa a qualidade dos serviços ecológicos das florestas na manutenção dos ciclos hidrológicos. O objetivo final é aumentar a produção de água e proteger a biodiversidade presente em uma das regiões mais industrializadas e urbanizadas do Brasil. A produção de água de qualidade, por sua vez, resultará do próprio aumento da área florestada, bem como, do manejo adequado do solo com um uso agrícola mais sustentável.
O curso de 40 horas, que acontece no campus da UNESP em Rio Claro, conta com a participação de 35 profissionais de 20 instituições entre gestores das prefeituras de Araraquara, Louveira, Rio Claro e Limeira, além de representantes de sete ONGs e cinco instituições de ensino e pesquisa da região (Embrapa, ESALQ, UNESP, UNICAMP e UFSCAR). Ao final do curso, considerando o balanço entre custo de implantação e o benefício para a conservação da biodiversidade e manutenção dos serviços ecológicos essenciais para a sociedade, os participantes serão capazes de tomar a melhor decisão sobre quais áreas são prioritárias para conservação e restauração florestal, visando à manutenção do abastecimento de água na região.
O projeto Corredor das Onças foi premiado pela Associação das Nações Unidas (ONU) pelos resultados obtidos até o momento. O sucesso do projeto, no entanto, depende da adesão de novas propriedades rurais na região, cujos proprietários queiram contribuir para a manutenção da qualidade ambiental da região. Hoje são 12 propriedades comprometidas na manutenção e restauração de suas áreas de preservação permanentes (APP), recebendo apoio do projeto para a adequação ambiental e restauração dessas áreas através de financiamento de compensação ambiental de empreendimentos implantados na região. Maiores informações sobre como aderir ao projeto, resultados obtidos e sobre o curso oferecido podem ser obtidas no sitio do projeto no endereço http://www.icmbio.gov.br/corredordasoncas/. © fotos Calebe Mendes.
24 de novembro de 2013
2 de agosto de 2013
Especulação com patrimônio natural gera segregação em ocupações urbanas
Imobiliárias transformam a natureza em objeto de consumo, gerando distorções
"Processo como esse ocorre, por exemplo, na região dos jardins Ipê e São Gabriel, na saída de Valinhos, que atualmente tem sido alvo de especulação imobiliária com a construção de um condomínio de altíssimo nível e a consequente valorização do local."
A forma como a ocupação urbana tem se configurado, em Campinas, torna visível o aumento da distância entre ricos e pobres. De um lado, os especuladores imobiliários buscam cada vez mais áreas próximas aos fragmentos florestais para a incorporação de loteamentos e construção de condomínios de alto e médio padrões. Por outro lado, os estratos sociais de baixa renda estão distribuídos em locais da cidade onde não há acesso à natureza – áreas verdes preservadas ou bosques municipais. Para o professor do Instituto de Geociências (IG) Antonio Carlos Vitte e sua aluna de doutorado em Geografia Mariana Cisotto, essa segregação está expressa na morfologia urbana e no acesso ao patrimônio natural.
Esse modelo, explica o professor, reflete o processo de re-estruturação urbana de Campinas, no qual coexistem um padrão de cidade dispersa e difusa – com novas centralidades, condomínios e acesso ao patrimônio natural – com uma cidade onde predomina a verticalização de favelas ou de bairros onde residem estratos sociais de baixa renda econômica, vivendo em situação ambiental precária. Em outras palavras, a morfologia urbana mostra claramente o acirramento das diferenças socioambientais. Esta constatação está registrada na dissertação de mestrado de Mariana Cisotto, apresentada no IG e financiada pela Fapesp.
Em nome da qualidade de vida e ambiental e com a escassez de áreas verdes, o discurso da proximidade da natureza tem sido a tônica para justificar o aumento vertiginoso de áreas antes tidas como rurais para a construção de empreendimentos imobiliários de luxo. Em outros casos, regiões da cidade de Campinas onde predominava uma urbanização tradicional estão começando a conviver com um novo padrão urbano, agora em encostas com declives acentuados e vales fluviais, onde a vegetação está em regeneração. Processo como esse ocorre, por exemplo, na região dos jardins Ipê e São Gabriel, na saída de Valinhos, que atualmente tem sido alvo de especulação imobiliária com a construção de um condomínio de altíssimo nível e a consequente valorização do local.
Já na região dos Dic’s, onde se localiza majoritariamente uma população de renda média e baixa, foi observado processo contrário tanto no campo como em mapeamento de satélite. Essa região tem vegetação escassa e cursos d’água altamente poluídos, o que traz sérias consequências à saúde pública, além de uma péssima qualidade ambiental. Com isso, concluem os geógrafos, o uso da natureza na cidade é muito restrito e seletivo.
Em determinadas áreas da periferia, quando existem, os bosques são distantes e não há rios. Esse quadro é ocasionado pela velocidade das construções, pelas ocupações urbanas e pela falta de fiscalização do poder público. Ademais, a região sudoeste sofre com a verticalização dos imóveis, a qual acarreta um aumento desordenado das populações. “Não há o menor controle em relação às construções que se verticalizam para aluguel”, destaca o professor. Há uma estratificação e, embora haja áreas regularizadas com casas de alvenaria, percebe-se que só foi possível a construção por meio de mutirões.

Além da segregação social constatada pelos pesquisadores, Vitte alerta ainda para outra consequência desta nova política de urbanização: a privatização do bem público. “Algo de direito do cidadão e da cidade, os fragmentos florestais se transformam em espaços exclusivos para aqueles que podem pagar por eles. A pergunta que se faz é quem usa essa natureza. Nas regiões de Sousas, Joaquim Egídio e Barão Geraldo, por exemplo, grandes incorporadoras se apropriam da natureza como forma de chamar a atenção para os condomínios fechados e de alto padrão”, exemplifica o geógrafo, que lidera um grupo de pesquisa do CNPq sobre Natureza e Cidade.
Segundo o pesquisador, os empreendimentos próximos aos fundos da mata nativa deveriam funcionar como uma espécie de corredor biogeográfico de uso comum. Ao invés disso, explica, a pessoa estende o muro e se apropria dos fragmentos naturais como se fosse dele, constituindo um sério problema para o meio ambiente. “É uma preservação relativa, pois ao mesmo tempo em que os bancos genéticos são preservados, há uma apropriação indevida da mata por entenderem tratar de uma propriedade privada, quando na verdade não é. Trata-se de um patrimônio natural e público. Um exemplo é o problema do muro ou da cerca atrapalhando a migração ou o deslocamento cotidiano de animais e insetos”, lembra o professor do IG.
Os trabalhos de campo foram realizados no espaço urbano de Campinas nos anos de 2008 e 2009. Além disso, foram feitas análises de imagens de satélite, mapas e gráficos oferecidos pelo Censo de 2000 e estudo do plano diretor do município. Na pesquisa, Mariana Cisotto tomou como base a análise de bosques e áreas verdes de Campinas a partir do conceito de urbanização dispersa – fenômeno recente, mas bastante estudado –, cuja ideia é entender a reconfiguração urbana que se constitui com áreas construídas mais concentradas e, ao mesmo tempo, de maneira dispersa.
“Havia um modelo antigo de urbanização que constituía a existência de um centro de comércio e serviços, os bairros e uma região industrial. Nesse contexto, a população se movimentava em razão do centro da cidade. A partir dos anos 90, com a globalização, há uma interferência no sentido de cidade, criando-se o que chamamos de novas centralidades urbanas, associadas diretamente ao cenário de condomínios, além das revoluções nos transportes e na comunicação. As construções ou os aglomerados de construções são afastadas e dispersas, com grande densidade populacional”, explica o professor, que acredita no surgimento de várias cidades em diferentes pontos da antiga Campinas. Em Barão Geraldo, outro exemplo bastante analisado pelos pesquisadores, as antigas fazendas são estrategicamente desmembradas para abrigar pequenos condomínios.
Na verdade, salienta Mariana, são dois processos antagônicos, fazendo parte de uma mesma realidade. Na medida em que a população de condição social mais elevada busca o distanciamento das regiões centrais e a proximidade com a natureza – e também uma fuga da violência –, há um aumento da densidade populacional nestas regiões, provocando uma degradação de muitas áreas verdes, sem contar o impacto ambiental negativo com a presença do homem nas proximidades de mata nativa. “É como se buscasse aquilo que vai perder, pois o adensamento tem se intensificado ao longo dos anos”, avalia Mariana.
Os geógrafos citam diversos conflitos nesta relação entre população e natureza. Estudos alertam para os efeitos negativos que o cachorro doméstico, por exemplo, pode causar em uma mata ciliar. Ou ainda, o risco que as capivaras representam para as pessoas na questão da contaminação. Outra situação típica é quando um animal entra no condomínio e os moradores intencionam matá-lo. Neste caso, corujas, cobras e outros animais são mortos, paradoxalmente, no local de seu habitat natural. Por isso, Mariana acredita que, ao mesmo tempo em que o homem busca a natureza, “ele a quer higiênica, num aquário para olhar, sem interagir com ela”.
Quando a sombra de uma árvore vale muito
“Campinas é 98,8% urbana e já existe uma estrutura consolidada, um cenário patético de concreto”. A constatação não é nova, pois Mariana Cisotto participou do diagnóstico das áreas verdes da Região Metropolitana de Campinas (RMC) para um plano de manejo, enquanto cumpria estágio na Mata Santa Genebra. No entanto, acredita que a população apenas se dá conta quando depara com os efeitos negativos desta degradação ou no simples fato de buscar uma sombra para estacionar um carro ou esperar um ônibus sob o forte calor. “É nestas horas que a sombra de uma árvore vale muito”, destaca o professor Antonio Vitte.
A importância do estudo realizado pelos geógrafos está em contribuir com a prefeitura, planejadores, ONGs e associações e, assim, deixar de lado a “ideologia do concreto”, uma vez que o desenvolvimento não é sinônimo de construir, pavimentar e canalizar rios. A pesquisadora acredita que existem possibilidades para reverter esse quadro. Neste sentido, Mariana está buscando na vizinhança algumas soluções possíveis e de baixo custo que poderiam ser aplicadas em Campinas. “Trata-se de iniciativas de mobilização popular para a criação de pomares coletivos em áreas abandonadas e de ferrovia, projeto de arborização coletiva e outras ideias introduzidas na Argentina e Chile e que pretendo compilar no estudo de doutorado”, explica Mariana.
Afora este projeto, as propostas dos pesquisadores são muitas para propiciar um conforto térmico. Por exemplo, o plantio de árvores nativas e pequenas, com incentivo fiscal municipal, a adoção de praças públicas e áreas embaixo de pontes e o estímulo à criação de jardins nas residências ao invés de lajotão. “Enfim, uma conscientização por parte da população em geral, de empresas e instituições, pois a cidade é coletiva, não existe um dono, assim como também não é responsabilidade exclusiva dos prefeitos e vereadores preservar e manter as áreas verdes, embora possuam o ofício de zelar e incentivar a participação cidadã na reconstrução da natureza nas cidades”, declara Vitte. Já para os geógrafos e demais cientistas sociais, na opinião dos pesquisadores, o grande desafio é a incorporação da natureza em uma nova teoria social do espaço.
3 de julho de 2013
Corredor das Onças - ICMBio
Indicado por: Bruno Dias
Corredor das Onças tem como objetivo elaborar e executar um plano de conservação e recuperação da biodiversidade e de melhoria da produção de água de qualidade na região de Campinas. A recuperação da biodiversidade se dará principalmente pela reconexão dos principais fragmentos florestais presentes na região utilizando a onça parda (Puma concolor) como espécie bandeira e bioindicadora.
ADESÃO
Qualquer pessoa (física ou jurídica) poderá aderir e ajudar o projeto. Para tanto é necessário fazer contato com a coordenação do Corredor das Onças e fazer a sua proposta de participação. Salientando que o Corredor das Onças só terá sucesso se tiver a adesão de toda a sociedade!
O projeto já conta com a adesão de doze pequenas propriedades rurais localizadas na área do corredor de circulação das onças. Nestas propriedades rurais foi desenvolvido o projeto de adequação ambiental, e pretendemos implantar a restauração das APPs financiadas pela compensação ambiental de empreendimentos implantados na região.
Contato: corredordasoncas@icmbio.gov.br
O CORREDOR
ADESÃO
Qualquer pessoa (física ou jurídica) poderá aderir e ajudar o projeto. Para tanto é necessário fazer contato com a coordenação do Corredor das Onças e fazer a sua proposta de participação. Salientando que o Corredor das Onças só terá sucesso se tiver a adesão de toda a sociedade!
O projeto já conta com a adesão de doze pequenas propriedades rurais localizadas na área do corredor de circulação das onças. Nestas propriedades rurais foi desenvolvido o projeto de adequação ambiental, e pretendemos implantar a restauração das APPs financiadas pela compensação ambiental de empreendimentos implantados na região.
Contato: corredordasoncas@icmbio.gov.br
O CORREDOR
18 de abril de 2013
Projeto quer conectar fragmentos de floresta para proteger animais
Crescimento populacional desordenado vem diminuindo as áreas florestais e desalojando os bichos
Fabiana Marchezi
correiopontocom@rac.com.br
Foto: Rodrigo Zanotto/ AAN
O mascote do projeto, Abayomi ('feliz encontro' em guarani), órfão de onça-parda que morreu após ser resgatada na área rural de Sousas
O crescimento populacional desordenado vem diminuindo as áreas florestais e, consequentemente, aumentando a ocorrência de acidentes e incidentes com animais silvestres na Região Metropolitana de Campinas (RMC).
São cada vez mais comuns notícias sobre onças, capivaras e outras espécies encontradas em situações de risco ou já machucadas na região, uma das mais industrializadas e urbanizadas do Interior de São Paulo.
Fabiana Marchezi
correiopontocom@rac.com.br
Foto: Rodrigo Zanotto/ AAN

O mascote do projeto, Abayomi ('feliz encontro' em guarani), órfão de onça-parda que morreu após ser resgatada na área rural de Sousas
O crescimento populacional desordenado vem diminuindo as áreas florestais e, consequentemente, aumentando a ocorrência de acidentes e incidentes com animais silvestres na Região Metropolitana de Campinas (RMC).
São cada vez mais comuns notícias sobre onças, capivaras e outras espécies encontradas em situações de risco ou já machucadas na região, uma das mais industrializadas e urbanizadas do Interior de São Paulo.

Por isso, desde 2009, o Instituto Chico Mendes, autarquia do Ministério do Meio Ambiente, vem desenvolvendo o projeto Corredor das Onças na região. O objetivo do estudo, que está entrando em sua segunda fase, é reconectar os fragmentos de floresta, conservar a biodiversidade e melhorar a qualidade e a quantidade de água na região de Campinas, contando principalmente com a ajuda de proprietários rurais e empresas comprometidas com o plantio compensatório.
De acordo com a analista ambiental e coordenadora do projeto, Márcia Gonçalves Rodrigues, na estrutura de incentivos que deverá ser criada para que a recuperação e a adequação ambiental das propriedades rurais ocorram, o projeto prevê a implantação do pagamento por serviços ambientais (PSA) a produtores rurais que se comprometam a implantar uma agricultura mais sustentável (agroecologia), a recuperar e proteger a fauna e as florestas nas nascentes e margens dos rios, beneficiando tanto a sua propriedade rural quanto as cidades e indústrias da região com o aumento da infiltração/produção de água e a melhoria da qualidade das águas captadas para o abastecimento urbano.
A produção de água de qualidade, por sua vez, resultará do próprio aumento da área florestada, bem como, do manejo adequado do solo com um uso agrícola mais sustentável. Segundo Márcia, a ideia é que, em no máximo dez anos, boa parte das florestas estejam reconectadas.
A volta
Mesmo ainda engatinhando, o projeto já vem dando frutos. Na segunda-feira (15), a reportagem do Correio pôde comprovar isso no Zoológico de Paulínia, que abriga três filhotes de onças-pardas que foram resgatados recentemente de situações de risco. A ideia agora é treiná-los para que eles possam voltar a viver na natureza.
O mascote do projeto, Abayomi — palavra guarani que significa “feliz encontro” — foi encontrado cerca de 20 dias depois que sua mãe morreu de mal súbito após se sentir coagida pelo homem enquanto atacava um galinheiro no distrito de Sousas.
Os outros dois filhotes — Raquel e Pitã, que significa “pé duro”, também em guarani — foram resgatados depois que a mãe deles morreu atingida por uma máquina agrícola dentro de um canavial. Pitã também foi atingido e teve várias fraturas na pata, mas já está totalmente recuperado.
“Os três devem estar preparados para voltar a viver na floresta no primeiro semestre de 2014”, disse a coordenadora. Outras quatro onças foram resgatadas e já foram devolvidas à natureza.
“Eles estão muito bem, aprendendo a sobreviver sozinhos. Aqui, eles são tratados, treinados e ficam isolados, com o mínimo possível de contato com o homem para que não caiam em armadilhas quando voltarem para a natureza”, disse o médico-veterinário do zoo de Paulínia, Marcelo de Queiroz Telles.
Multifocal
Cerca de 80 pessoas — entre autoridades da região, representantes de empresa, proprietários rurais e formadores de opinião — estiveram ontem no evento 'A Propriedade Rural e o Corredor das Onças: Como Podemos Ajudar', realizado na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas.
Entre os presentes, estavam políticos de Campinas, Cosmópolis, Artur Nogueira, Holambra e Limeira, além de organizações não governamentais, associações de proprietários rurais e representantes de empresas parceiras.
O vice-prefeito de Campinas, Henrique Magalhães Teixeira (PSDB), presente no evento, afirmou que o projeto tem todo o apoio do governo municipal. “Estamos de portas abertas para o que for preciso”, disse.
Para o secretário municipal do Verde e do Desenvolvimento Sustentável, Rogério Menezes, o maior desafio é a mobilização da população em torno da conservação das matas ciliares e da recuperação dos locais já degradados.
“Sabemos que é tudo a longo prazo, até porque nossa proposta (de reabilitação para devolver o animal à natureza) é inédita. A ideia do evento foi abrir um diálogo com esse pessoal para que algo comece a ser feito logo”, ressaltou Márcia Gonçalves Rodrigues, coordenadora do projeto.
Produtores serão pagos para conservar
O projeto Corredor das Onças é uma iniciativa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em parceria com o Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que responde pela organização de um modelo de pagamento por serviços ambientais (PSA) pela conservação da água e da biodiversidade na região de Campinas.
Nesta primeira etapa, o Corredor das Onças teve apoio financeiro do projeto Proteção da Mata Atlântica 2, do governo brasileiro, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, dentro de um programa de cooperação técnica e financeira entre Brasil e Alemanha, no âmbito da Iniciativa Internacional de Proteção ao Clima (IKI). Prevê apoio técnico através da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, e apoio financeiro através do KfW Entwicklungsbank (o Banco Alemão de Desenvolvimento), por intermédio do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).
O projeto está sediado em Campinas, porém, a fauna, assim como as nascentes dos principais cursos d’água da região, não conhecem fronteiras políticas.
Assim, o caminho das onças tem levado a iniciativa muito além dos limites da RMC, que possui área total de 3.647 quilômetros quadrados.
No entanto, os fragmentos florestais da Região Metropolitana de Campinas representam pouco menos que 10% de sua área total: cerca de 34 mil hectares distribuídos entre os seus 19 municípios.
A onça-parda (Puma concolor), também conhecida como suçuarana, é usada como espécie bandeira do corredor ecológico a ser implantado, pois sua presença, comprovada nos primeiros trabalhos de campo, indica um processo de adaptação a uma situação ambiental pouco favorável, marcada pela existência de um mosaico de pequenos fragmentos florestais isolados.
A importância da onça-parda está na sua capacidade de controlar espécies que estão abaixo dela na cadeia alimentar. Com isso, ela garante que não haja uma explosão populacional de outras espécies que estejam sendo favorecidas pelo ambiente alterado pelo homem.
De acordo com a analista ambiental e coordenadora do projeto, Márcia Gonçalves Rodrigues, na estrutura de incentivos que deverá ser criada para que a recuperação e a adequação ambiental das propriedades rurais ocorram, o projeto prevê a implantação do pagamento por serviços ambientais (PSA) a produtores rurais que se comprometam a implantar uma agricultura mais sustentável (agroecologia), a recuperar e proteger a fauna e as florestas nas nascentes e margens dos rios, beneficiando tanto a sua propriedade rural quanto as cidades e indústrias da região com o aumento da infiltração/produção de água e a melhoria da qualidade das águas captadas para o abastecimento urbano.
A produção de água de qualidade, por sua vez, resultará do próprio aumento da área florestada, bem como, do manejo adequado do solo com um uso agrícola mais sustentável. Segundo Márcia, a ideia é que, em no máximo dez anos, boa parte das florestas estejam reconectadas.
A volta
Mesmo ainda engatinhando, o projeto já vem dando frutos. Na segunda-feira (15), a reportagem do Correio pôde comprovar isso no Zoológico de Paulínia, que abriga três filhotes de onças-pardas que foram resgatados recentemente de situações de risco. A ideia agora é treiná-los para que eles possam voltar a viver na natureza.
O mascote do projeto, Abayomi — palavra guarani que significa “feliz encontro” — foi encontrado cerca de 20 dias depois que sua mãe morreu de mal súbito após se sentir coagida pelo homem enquanto atacava um galinheiro no distrito de Sousas.
Os outros dois filhotes — Raquel e Pitã, que significa “pé duro”, também em guarani — foram resgatados depois que a mãe deles morreu atingida por uma máquina agrícola dentro de um canavial. Pitã também foi atingido e teve várias fraturas na pata, mas já está totalmente recuperado.
“Os três devem estar preparados para voltar a viver na floresta no primeiro semestre de 2014”, disse a coordenadora. Outras quatro onças foram resgatadas e já foram devolvidas à natureza.
“Eles estão muito bem, aprendendo a sobreviver sozinhos. Aqui, eles são tratados, treinados e ficam isolados, com o mínimo possível de contato com o homem para que não caiam em armadilhas quando voltarem para a natureza”, disse o médico-veterinário do zoo de Paulínia, Marcelo de Queiroz Telles.
Multifocal
Cerca de 80 pessoas — entre autoridades da região, representantes de empresa, proprietários rurais e formadores de opinião — estiveram ontem no evento 'A Propriedade Rural e o Corredor das Onças: Como Podemos Ajudar', realizado na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas.
Entre os presentes, estavam políticos de Campinas, Cosmópolis, Artur Nogueira, Holambra e Limeira, além de organizações não governamentais, associações de proprietários rurais e representantes de empresas parceiras.
O vice-prefeito de Campinas, Henrique Magalhães Teixeira (PSDB), presente no evento, afirmou que o projeto tem todo o apoio do governo municipal. “Estamos de portas abertas para o que for preciso”, disse.
Para o secretário municipal do Verde e do Desenvolvimento Sustentável, Rogério Menezes, o maior desafio é a mobilização da população em torno da conservação das matas ciliares e da recuperação dos locais já degradados.
“Sabemos que é tudo a longo prazo, até porque nossa proposta (de reabilitação para devolver o animal à natureza) é inédita. A ideia do evento foi abrir um diálogo com esse pessoal para que algo comece a ser feito logo”, ressaltou Márcia Gonçalves Rodrigues, coordenadora do projeto.
Produtores serão pagos para conservar
O projeto Corredor das Onças é uma iniciativa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em parceria com o Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que responde pela organização de um modelo de pagamento por serviços ambientais (PSA) pela conservação da água e da biodiversidade na região de Campinas.
Nesta primeira etapa, o Corredor das Onças teve apoio financeiro do projeto Proteção da Mata Atlântica 2, do governo brasileiro, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, dentro de um programa de cooperação técnica e financeira entre Brasil e Alemanha, no âmbito da Iniciativa Internacional de Proteção ao Clima (IKI). Prevê apoio técnico através da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, e apoio financeiro através do KfW Entwicklungsbank (o Banco Alemão de Desenvolvimento), por intermédio do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).
O projeto está sediado em Campinas, porém, a fauna, assim como as nascentes dos principais cursos d’água da região, não conhecem fronteiras políticas.
Assim, o caminho das onças tem levado a iniciativa muito além dos limites da RMC, que possui área total de 3.647 quilômetros quadrados.
No entanto, os fragmentos florestais da Região Metropolitana de Campinas representam pouco menos que 10% de sua área total: cerca de 34 mil hectares distribuídos entre os seus 19 municípios.
A onça-parda (Puma concolor), também conhecida como suçuarana, é usada como espécie bandeira do corredor ecológico a ser implantado, pois sua presença, comprovada nos primeiros trabalhos de campo, indica um processo de adaptação a uma situação ambiental pouco favorável, marcada pela existência de um mosaico de pequenos fragmentos florestais isolados.
A importância da onça-parda está na sua capacidade de controlar espécies que estão abaixo dela na cadeia alimentar. Com isso, ela garante que não haja uma explosão populacional de outras espécies que estejam sendo favorecidas pelo ambiente alterado pelo homem.
19 de setembro de 2012
Jundiaí estuda liberar hotéis na Serra do Japi
Plano divulgado há alguns dias pela prefeitura da cidade em audiência pública causou alarde entre ambientalistas e ONGs
TEXTOS: Diego Zanchetta / FOTOS: Tiago Queiroz
SÃO PAULO - A Prefeitura de Jundiaí quer liberar "empreendimentos sustentáveis" em 7,26 milhões de m², o equivalente a cinco Parques do Ibirapuera, na zona de conservação da Serra do Japi. O pedido de diretriz que deve determinar como deve ser feita a ocupação foi feito no fim do ano passado pela Fundação Cintra Godinho, dona de 10% da área de preservação de um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica.
Tiago Queiroz/AE
Área urbana avança sobre zona de conservação
As fazendas estão em região de proteção tombada pelo patrimônio histórico estadual em 1983, na borda da serra. Mas lei de Jundiaí de 2004 permite hotéis e condomínios nos terrenos. A possibilidade foi divulgada pela própria prefeitura no dia 18, em audiência pública. E causou alarde entre ambientalistas e ONGs. Segundo eles, além de espécies de fauna e flora ameaçadas de extinção, a área tem 12 nascentes fundamentais para abastecer 2 milhões de pessoas.
Manifesto do SOS Mata Atlântica e da Associação Mata Ciliar destaca que oito onças pardas achadas nos últimos três anos também mostram que área não pode ser ocupada por resorts. Especializado em Direito Ambiental pela USP, Fabio Storari, da Frente de Defesa da APA Jundiaí, ainda acusa a Prefeitura de retardar aprovação de uma lei em trâmite desde 2010 na Câmara que poderia congelar a borda da serra. "Esse atraso é justamente para permitir a venda das fazendas ao mercado hoteleiro. Não há interesse no governo em impedir empreendimentos na serra, ao contrário."
Divisão. Diferentemente das Serras do Mar e da Cantareira, remanescentes da Mata Atlântica transformadas em parques estaduais, a Serra do Japi ainda tem uma zona de amortecimento que obedece a leis municipais de cidades como Jundiaí, Itupeva e Cajamar.
Em Jundiaí, a legislação dividiu a borda da serra em três áreas: reserva biológica e zonas de preservação e conservação, onde é permitida a construção de empreendimentos como hotéis voltados ao ecoturismo. É essa área de conservação que está na mira de grupos hoteleiros.
"Não temos dinheiro para fazer desapropriação dessas fazendas e isso nem é necessário. A lei permite nelas a construção de hotéis ou casas de repouso, só que ninguém até hoje conseguiu cumprir as restrições da Prefeitura. É possível construir sem agredir mananciais, nascentes. Somos os mais interessados em defender a serra. Temos dois pedidos que até agora não foram liberados por não cumprirem nossas exigências", diz Jaderson Spina, secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Jundiaí.
Processo. Além de defender a ocupação sustentável da área, ele diz que não poderia congelar para novas construções as fazendas particulares na zona de amortecimento da serra. "Correria o risco de ser processado pelos donos e o governo teria de acabar desapropriando as terras e indenizando os donos. Essa ameaça de processo já foi feita por eles quando a lei de 2004 foi aprovada e manteve a possibilidade de ocupação desses terrenos", completou.
Diretores da fundação dona das fazendas também argumentam que a lei de Jundiaí permite a construção de hotéis. A entidade informou que, dos 600 alqueires das fazendas, 300 são reserva florestal que não pode sofrer modificação. Sobrariam outros 300, o equivalente a cinco Ibirapuera.
A Fundação Cintra Godinho diz ainda que a venda da área na serra ajudará a entidade a manter assistência educacional a cerca de 1.200 crianças e jovens carentes.
SÃO PAULO - A Prefeitura de Jundiaí quer liberar "empreendimentos sustentáveis" em 7,26 milhões de m², o equivalente a cinco Parques do Ibirapuera, na zona de conservação da Serra do Japi. O pedido de diretriz que deve determinar como deve ser feita a ocupação foi feito no fim do ano passado pela Fundação Cintra Godinho, dona de 10% da área de preservação de um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica.
Tiago Queiroz/AE
Área urbana avança sobre zona de conservação
As fazendas estão em região de proteção tombada pelo patrimônio histórico estadual em 1983, na borda da serra. Mas lei de Jundiaí de 2004 permite hotéis e condomínios nos terrenos. A possibilidade foi divulgada pela própria prefeitura no dia 18, em audiência pública. E causou alarde entre ambientalistas e ONGs. Segundo eles, além de espécies de fauna e flora ameaçadas de extinção, a área tem 12 nascentes fundamentais para abastecer 2 milhões de pessoas.
Manifesto do SOS Mata Atlântica e da Associação Mata Ciliar destaca que oito onças pardas achadas nos últimos três anos também mostram que área não pode ser ocupada por resorts. Especializado em Direito Ambiental pela USP, Fabio Storari, da Frente de Defesa da APA Jundiaí, ainda acusa a Prefeitura de retardar aprovação de uma lei em trâmite desde 2010 na Câmara que poderia congelar a borda da serra. "Esse atraso é justamente para permitir a venda das fazendas ao mercado hoteleiro. Não há interesse no governo em impedir empreendimentos na serra, ao contrário."
Divisão. Diferentemente das Serras do Mar e da Cantareira, remanescentes da Mata Atlântica transformadas em parques estaduais, a Serra do Japi ainda tem uma zona de amortecimento que obedece a leis municipais de cidades como Jundiaí, Itupeva e Cajamar.
Em Jundiaí, a legislação dividiu a borda da serra em três áreas: reserva biológica e zonas de preservação e conservação, onde é permitida a construção de empreendimentos como hotéis voltados ao ecoturismo. É essa área de conservação que está na mira de grupos hoteleiros.
"Não temos dinheiro para fazer desapropriação dessas fazendas e isso nem é necessário. A lei permite nelas a construção de hotéis ou casas de repouso, só que ninguém até hoje conseguiu cumprir as restrições da Prefeitura. É possível construir sem agredir mananciais, nascentes. Somos os mais interessados em defender a serra. Temos dois pedidos que até agora não foram liberados por não cumprirem nossas exigências", diz Jaderson Spina, secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Jundiaí.
Processo. Além de defender a ocupação sustentável da área, ele diz que não poderia congelar para novas construções as fazendas particulares na zona de amortecimento da serra. "Correria o risco de ser processado pelos donos e o governo teria de acabar desapropriando as terras e indenizando os donos. Essa ameaça de processo já foi feita por eles quando a lei de 2004 foi aprovada e manteve a possibilidade de ocupação desses terrenos", completou.
Diretores da fundação dona das fazendas também argumentam que a lei de Jundiaí permite a construção de hotéis. A entidade informou que, dos 600 alqueires das fazendas, 300 são reserva florestal que não pode sofrer modificação. Sobrariam outros 300, o equivalente a cinco Ibirapuera.
A Fundação Cintra Godinho diz ainda que a venda da área na serra ajudará a entidade a manter assistência educacional a cerca de 1.200 crianças e jovens carentes.
14 de novembro de 2011
Mudanças no Código Florestal condenam rios à extinção

Por Vanessa Ramos
Nos últimos meses, a discussão sobre o Código Florestal colocou em pauta um dos recursos mais indispensáveis e fundamentais do mundo para a sobrevivência do ser humano: a água. No entanto, a aprovação de um novo texto para o Código Florestal pode levá-la a escassez e desencadear uma crise ecológica, econômica e política no país.
Segundo Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, a proposta de reduzir as Áreas de Preservação Permanente (APPs) de 30 para 15 metros, prevista no novo Código Florestal, é muito perigosa. Uma vez que ela diminui ou até mesmo acaba de vez com a mata ciliar, vegetação que cresce às margens dos rios.
De acordo com informações divulgadas no site dos Comitês de Bacias Hidrográficas (www.rededasaguas.org.br), a mata ciliar cumpre um papel muito importante na natureza.
Ela protege as margens dos rios, lagos e nascentes contra assoreamento – obstrução de rios por sedimentos, geralmente, de areias ou outros detritos – e evita a contaminação da água por venenos – agrotóxicos. Portanto, “a proteção da mata ciliar é uma questão vital para a sociedade”, afirmou Mantovani.
Mais de 70% da malha hídrica do Brasil é constituída por rios de até 10 metros de profundidade, segundo Mantovani. Com a proposta do novo Código Florestal para as APPs, as profundidades desses rios serão comprometidas e, consequentemente, os rios podem desaparecer.
“O que nós estamos prestes a presenciar é um atestado de morte para a natureza e para os rios, com a proposta dos ruralistas”, alertou o diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica.
Mario Mantovani explicou que a mata ciliar também funciona como uma espécie de “corredor de biodiversidade, um corredor de vida às margens dos rios”. Esses corredores garantem a circulação de sementes e conservam a fauna brasileira.
“Então, a proposta dos ruralistas é acabar com a água e com as vidas, inclusive aquelas que ainda estão transitando pelas margens dos rios e que poderiam enriquecer as florestas, além de proteger essa nossa biodiversidade fantástica. Aliás, não chamaria nem de biodiversidade, chamaria de Megadiversidade. Nós temos a maior biodiversidade do planeta”, disse Mantovani.
Isso, do ponto de vista da redução das APPs. Mas o texto aprovado na última terça-feira (8/11), em duas comissões no Senado, prevê ainda a exclusão dos mangues da categoria de APPs. Em outras palavras, o novo Código Florestal objetiva acabar com os mangues brasileiros. O que afetaria, diretamente, pescadores e famílias que vivem da venda de crustáceos e moluscos.
“Os mangues representam o berço da vida. É ali que a vida no mar começa. Se não tiver mangue não tem vida no mar. Então, nós temos que evitar que isso tipo de coisa, sem limite, nos nossos rios e nos nossos mangues,” desabafou Mario Mantovani.
Politicamente, o novo Código Florestal vai afetar até a imagem do Brasil na Rio+20, a ser realizada no próximo ano no Rio de Janeiro. Com base no diagnóstico feito pelo dirigente da SOS Mata Atlântica, o Brasil perderá a sua condição de líder para assumir o papel de mais um país na lista de contravenção contra o planeta terra.
Sobretudo, o Brasil “perderia toda a sua moral para qualquer tipo de debate sobre clima
e biodiversidade,” alertou.
O novo Código Florestal, apresentado pelo senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), também prevê, na seção APP, o plantio de árvores produtoras de frutos ou outros produtos em áreas de APP e informa que novas supressões poderão ser feitas para implantar lavouras, como soja, cana.
15 de junho de 2011
VÍDEO ENTRE RIOS
Entre Rios conta de modo rápido a história de São Paulo e como essa está totalmente ligada com seus rios. Muitas vezes no dia-a-dia frenético de quem vive São Paulo eles passam desapercebidos e só se mostram quando chove e a cidade pára.
Mas não sinta vergonha se você não sabe onde encontram esses rios! Não é sua culpa! Alguns foram escondidos de nossa vista e outros vemos só de passagem, mas quando o transito pára nas marginais podemos apreciar seu fedor. É triste mas a cidade está viva e ainda pode mudar!
É ESTE CAMINHO QUE VALINHOS QUER SEGUIR ?
2 de junho de 2011
21 de março de 2011
Tudo para dificultar a participação popular
A prefeitura de Valinhos esta fazendo de tudo para evitar a participação da população em dois projetos de lei que visam alterar o plano diretor. Estes projetos, se aprovados, provavelmente irão causar, de um lado, a extinção da atividade rural do município, e do outro, irão dobrar sua população.
Para esvaziar os debates, foram marcados para o mesmo dia e horário, nesta terça 22/03, ás 19h:
1 - A primeira votação na câmara, para transformar mais de 6 milhões de metros quadrados de área rural em área de logística.
2 - Audiência pública na prefeitura para modificar o projeto de alteração no texto do plano diretor, que dentre outras coisas (leia aqui), transformará a maior parte da Serra dos Cocais em condomínios.
As decisões relativas aos projetos acima, dependem exclusivamente da vontade política dos nossos representantes, vamos cobrar que eles defendam os interesses da população, que já se mostrou claramente contrária a eles em todas as oportunidades que lhe foram dadas.
As consequências das mudanças propostas pela Prefeitura contribuirão significativamente para a junção urbana entre Valinhos, Campinas, Vinhedo e Itatiba. A grande Campinas já está saturada, e falta pouco para se juntar a grande São Paulo, formando uma gigante MEGALÓPOLE.
Temos que defender um cinturão verde com corredores de matas e atividades rurais sustentáveis em torno das cidades, principalmente se tratando de uma área de manancial como é a Serra dos Cocais.
A opção também é sua, participe.
10 de março de 2011
Visão futurista salvou a Serra do Japi
FABIANO MAIA

A Serra do Japi é fiscalizada com modernos jipes Agrale Marruá, ideais para o patrulhamento florestal
O ano era 1982 e a visão de preservação ambiental da sociedade era menos abrangente do que a atual. Mas um geógrafo renomado, já de olho nos avanços das cidades e na especulação imobiliária, cuidou para que as futuras gerações pudessem ver a Serra do Japi como ela é atualmente. "Eu conhecia relativamente bem a Região e sabia da importância da Serra do Japi", recorda Aziz Nacib Ab´Saber, geógrafo e professor universitário, considerado referência em assuntos relacionados ao meio ambiente e impactos ambientais decorrentes das atividades humanas. "Naquele ano eu assumi a presidência do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) e tomei a liberdade de fazer um plano diferente para o tombamento da serra." Recentemente, o professor Aziz esteve em Jundiaí e se disse frontalmente contrário à idéia de criação do Parque Estadual da Serra do Japi, que julga um grande erro.
Aos 84 anos, o especialista acredita que caso o tombamento não tivesse sido aprovado, em março de 1983, a Serra do Japi teria um destino diferente. "É provável que aconteceria o mesmo que em muitos locais do mundo: a população de baixa renda, sem ter condições de comprar um imóvel ou terreno, invadiria a serra, assim como ocorreu nos morros do Rio de Janeiro", compara.
Para que o projeto fosse aprovado e passasse pelos olhos desconfiados dos especuladores imobiliários da época, o geógrafo utilizou argumentos. "Mostrei, através de estudos, que a natureza do Japi é uma das pequenas serras constituída pela rocha quartzito, a mais dura da face da Terra. E o que causa espanto é que neste solo cresceu uma floresta. E caso esse solo fosse destruído, ele nunca mais seria reconstituído."
Mais do que expor sua rara beleza, Aziz mostrou que no alto da serra existiam áreas campestres, um documento da vegetação do passado, remetente à era glacial. "Existir florestas em rocha é um milagre da natureza", define. Apesar disso, ele encontrou resistência por parte de alguns membros da população. "Participei de uma reunião em Jundiaí com pessoas que iam fazer negócios na área do Japi. Muita gente não tinha noção da importância do tombamento da serra", relembra. "E dei uma aula sobre isso. Para minha surpresa, ao terminar, ao invés de me agredirem, os participantes me aplaudiram. Eles viram que eu estava pensando na cidade, na sua conservação."
Definitivo - Aziz só respirou aliviado quando o então secretário de Cultura do Estado, João Carlos Martins, aprovou por definitivo o tombamento. "Quando eu fiz o projeto era um tombamento provisório, que servia apenas para que ninguém mexesse na serra. Mas antes de chegar ao fim minha presidência no Condephaat, o secretário aprovou o projeto. Com certeza o tombamento da Serra do Japi foi um dos grandes acontecimentos no quesito ´preservação da natureza´ no Estado de São Paulo." Mas ele faz questão de não levar a fama de bom sozinho. "Foi um trabalho conjunto de jornalistas, radialistas e da televisão, que me ajudaram no processo de tombamento."
Anos depois - Hoje, o professor emérito da Universidade de São Paulo (USP) garante que ainda faz uma fiscalização na riqueza natural que ele ajudou a preservar. "Toda vez que sei de alguma intervenção errada de pessoas eu entrego aos órgãos públicos", aponta. "Tenho ido a Jundiaí e percebi que sítios e chácaras chegaram ao pé da serra, mas não subiram. Isso mostra que o patrimônio está sendo fiscalizado." Aziz analisa que, caso o tombamento não fosse aprovado, dificilmente a cidade seria como é vista hoje. O belo cenário verde, avistado em vários pontos da cidade, provavelmente não existiria. "Arrisco a dizer que o avanço da sociedade poderia até provocar a mesma catástrofe que aconteceu na região serrana do Rio no início deste ano." Mesmo assim, ele faz um alerta. "A preservação precisa continuar. Caso contrário, o que será da Serra do Japi daqui a 50 anos, se não fizermos o mínimo para preservá-la?".
TERESA ORRÚ
9 de dezembro de 2010
Fazenda Remonta - Floresta Estadual
Campinas ganha sua 1ª floresta estadual
Esta área fica ao lado da fazenda REMONTA em Valinhos.
17/11/2010
Depois de tentar vender a área e retroceder diante da reação negativa da cidade, o governo do Estado decidiu preservar a Fazenda Serra d’Água, na região do Parque Jambeiro, e transformá-la em floresta. No próximo dia 10 ocorrerá em Campinas a audiência pública para discutir a proposta de criação da Floresta Estadual Serra D’Água. A previsão é que até o final do ano seja assinado decreto para tornar aquela área uma unidade de conservação, ou seja, especialmente protegida por lei. A decisão deverá garantir a preservação desse remanescente, com características de floresta urbana, fortemente pressionada pela expansão e especulação imobiliária. A futura floresta irá se constituir também em um centro difusor de práticas florestais sustentáveis para toda a região de Campinas.
A Serra d’Água será a terceira floresta do Estado — as outras são a Floresta Nacional de Capão Bonito e a Floresta Nacional de Ipanema, em Iperó. Conforme a definição do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc), uma floresta é uma área com cobertura florestal de espécies predominantemente nativas e tem como objetivo básico o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e a pesquisa científica, com ênfase em métodos para exploração sustentável de florestas nativas. Enquanto os parques podem receber atividades de recreação e de turismo ecológico, as florestas têm uso mais restrito.
A proposta de transformação da fazenda em uma unidade de conservação foi elaborada pelo Instituto Florestal, organismo da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Segundo a iniciativa, a Serra d’Água, protegida como unidade de conservação da natureza, representará a possibilidade de maior contribuição para a conservação da biodiversidade. O projeto prevê a necessidade de R$ 468 mil para proteger a área com a implantação de aceiro, sinalização, alambrado, duas base de fiscalização, contratação de vigilância, limpeza e elaboração do plano de manejo.
O Instituto Florestal orienta que o plano de manejo deverá prever ações de restauração e enriquecimento das áreas de preservação junto com pesquisas voltadas ao manejo de espécies e produtos florestais nativos nas demais áreas, em parceria com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.
“A criação da floresta é uma vitória da sociedade”, disse o promotor de Meio Ambiente José Roberto Carvalho Albejante. O promotor foi o primeiro a alertar sobre a disposição do governo em vender a fazenda e a iniciar gestões para tentar barrar a ideia. Segundo ele, aquela área tem profundo significado socioambiental para a população de Campinas, por estar em sua maior porcentagem coberta por vegetação florestal em estágio de regeneração. Albejante obteve informações que a intenção do governador Alberto Goldman (PSDB) é assinar o decreto criando a unidade de conservação Floresta Estadual Serra d’Água ainda este ano.
O estudo para caracterizar a futura floresta informa que ela é área drenada pelo Córrego São Vicente que, por sua vez, deságua no Rio Capivari. Do ponto de vista de proteção aos recursos hídricos, e considerando a ausência de cobertura florestal da bacia hidrográfica do Rio Capivari, a preservação e recuperação da vegetação da fazenda e do seu entorno desempenhará um papel relevante para a região, por favorecer a infiltração da água, diminuindo os processos erosivos, o escoamento superficial e, consequentemente, contribuindo para a melhoria da qualidade das águas.
Características
A área, com matas, córregos e cachoeiras, é recoberta por espécies vegetais exóticas em 62,6% do território. Existem duas formações distintas, com domínio de exóticas. A área de maior extensão, 21,12 hectares, tem predomínio de tipuana, espécie arbórea nativa da Bolívia e Argentina, muito utilizada em arborização urbana. A outra é recoberta por gramíneas exóticas como o bambuzinho-de-jardim, originada da Ásia, capim-elefante brachiaria, recobrindo 10,83 hectares, que correspondem a 21,22 % da propriedade. As áreas com floresta estacional semidecidual podem ser divididas em capoeirão, capoeira e capoeira rala, conforme o maior espaçamento. Há espécies de macaúba, úba-do-brejo, araribá, candeia, mamica-de-porca, aroeira-brava, rosa. Há várias espécies de aves, entre elas a juriti-vermelha considera em perigo de extinção e o pica-pau-de-topete-vermelho, tido como vulnerável na lista vermelha paulista da fauna ameaçada de extinção.
Conservação deve gerar mais repasses
A implantação de uma floresta dentro de Campinas aumenta as possibilidade de o município receber recursos de compensações ambientais. Campinas tem apenas duas unidades de conservação, a Mata de Santa Genebra e a Área de Proteção Ambiental (APA) de Sousas e Joaquim Egídio. As duas, porém, são de uso sustentável, o que dificulta a captação de verbas compensatórias porque a legislação define que os recursos sejam para a categoria de proteção integral. Sem unidades de conservação de uso integral, Campinas vai perder, por exemplo, verbas compensatórias da ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos, que vão para áreas verdes de outras cidades.
Autor: Maria Teresa Costa
Fonte: Correio PopularO endereço do projeto "Criação da floresta Estadual Serra d'água - Campinas -sp"
Edital de convocação da Audiência Pública para discutir a “Proposta de Criação da Floresta Estadual Serra d’Água”, de responsabilidade do Instituto Florestal.O Conselho Estadual do Meio Ambiente comunica que realizará no dia 10 de dezembro de 2010, às 17h00, no Palácio dos Jequitibás - Salão Vermelho da Prefeitura Municipal de Campinas, Avenida Anchieta, 200, andar térreo, Centro, Campinas/SP, audiência pública para discutir a “Proposta de Criação da Floresta Estadual Serra d’Água”, de responsabilidade do Instituto Florestal. Informa também que cópia impressa dos documentos pertinentes à proposta encontra-se à disposição dos interessados, para consulta, no período de 12 de novembro a 10 de dezembro de 2010, na Biblioteca da CATI - Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, Prédio do Centro de Treinamento (primeiro prédio após a entrada na guarita), Avenida Brasil, 2340, Jardim Chapadão, Campinas/SP, de segunda a sexta-feira, das 08h00 às 12h00 e das 13h00 às 17h00.
Cópia eletrônica está também disponível no sítio do Instituto Florestal: www.iflorestal.sp.gov.br .De acordo. Publique-se.
São Paulo, 10 de novembro de 2010Germano Seara Filho
Secretário-Executivo do Consema
"
31 de março de 2010
Unidade de Conservação em Bertioga
Na terça-feira (30/03), o secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Xico Graziano, recebeu do WWF-Brasil o abaixo-assinado com mais de cinco mil assinaturas que pede a criação da área protegida no município de Bertioga, no litoral paulista.
O documento ressalta a necessidade de se conservar a restinga, mangues e outros ecossistemas presentes na área por meio de uma unidade de conservação (UC), tendo em vista a fragilidade desse ambiente, a importância biológica, paisagística e cultural e o crescimento da ocupação urbana no local.
O documento ressalta a necessidade de se conservar a restinga, mangues e outros ecossistemas presentes na área por meio de uma unidade de conservação (UC), tendo em vista a fragilidade desse ambiente, a importância biológica, paisagística e cultural e o crescimento da ocupação urbana no local.
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19 de fevereiro de 2010
Corredor da Vida
Um vídeo sobre o Corredor de Biodiversidade da Serra do Mar. O trabalho mostra a complexa teia que liga o cidadão urbano à Mata Atlântica e responde às seguintes perguntas: Onde está localizada a Mata Atlântica? Quais os impactos que sua área sofreu com os ciclos econômicos e a expansão
urbana? Que riqueza ela ainda guarda? O que é um Corredor de Biodiversidade? O que você tem a ver com tudo isso?
urbana? Que riqueza ela ainda guarda? O que é um Corredor de Biodiversidade? O que você tem a ver com tudo isso?
OBS: Precisamos trazer estes corredores de mata até a Serra dos Cocais, ligando nossa região ao litoral.
8 de outubro de 2009
No interior de SP, 2.200 hect. de Mata Atlântica guardam um Brasil que sumiu
A floresta solitária
A 60 quilômetros de Piracicaba, no interior de São Paulo, há uma área de mata cuja importância mal cabe em seus 2 mil e 200 hectares de extensão. Pelas suas picadas, desde a década de 50, andou gente com credenciais científicas e conservacionistas impecáveis. Os primatólogos Karen Strier e Russel Mitermeyer estiveram lá para observar seus muriquis. O ornitólogo Edwin Willis foi atrás de aves como o raríssimo tangará de chifre, com seu corpo negro arrematado por um esplendoroso topete vermelho. Paulo Nogueira Neto, um dos pais do ambientalismo brasileiro, ainda frequenta o lugar para lembrar como era a paisagem original daquela região.
A floresta virou uma espécie de meca da ciência e da conservação pela sua raridade, uma atribuição que tem um pouco a ver com sua biologia e muito com sua escassez. Há 70 anos, ela era apenas um naco insignificante da Mata Atlântica de planalto. De lá para cá, tornou-se praticamente seu único remanescente florestal que não está encarapitado no cume de um morro entre os rios Piracicaba e Tietê. Esse feito se deve a três gerações de uma única família. Em especial a José Carlos, um dos sete filhos do patriarca Carlos Leôncio (Nhô Nhô) Magalhães, que fundou por lá, nas prrimeiras décadas do século XX, uma fazenda de 26 mil hectares, a Barreiro Rico.
Caçador exímio na juventude e mateiro dos bons, ele tornou-se um profundo estudioso de nossas aves. Helmut Sick, um dos bambas do assunto, demonstrou a admiração pelo seu trabalho citando-o diversas vezes em sua obra-prima, Ornitologia Brasileira. José Carlos ajudou a mapear a ecologia de várias espécies e foi pioneiro na gravação e estudo de seus pios. Sua coleção de espécimens da avifauna brasileira está abrigada, pela sua importância, no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, um dos principais das Américas. Foi José Carlos que decidiu manter a mata que havia restado naquelas terras protegida. Foi ele também que a abriu à curiosidade dos cientistas.
Pressões
A iniciativa rendeu quase uma centena de estudos sobre a vida de mamíferos, insetos e aves da Mata Atlântica, alguns deles já extintos na região. O trabalho pioneiro de José Carlos ganhou corpo a partir dos anos 50. Em 1956, sabendo que o fechamento das comportas de Barra Bonita levaria à inundação de quase cinco mil hectares da fazenda e à destruição das matas ribeirinhas ao longo do Piracicaba, ele deu início a um projeto pioneiro de documentação. Graças aos seus esforços, biólogos do governo do estado de São Paulo coletaram 178 espécies de aves para auxiliar na medição posterior do impacto ambiental da represa.
Através das pesquisas do ornitólogo Edwin O. Willis na década de 70 e das observações posteriores do próprio José Carlos, ficou evidente que além da represa, outro perigo rondava o seu resto de mata, a pressão da caça. “Essa pressão sempre existiu. Ela levou a onça pintada daqui de uma vez por todas por volta de 1910”, diz o segundo Carlos Leôncio dessa história, filho de José Carlos e membro da geração de primos que ainda trabalham para manter a mata. A anta ele viu em pessoa sumir em meados dos anos 50, quando seu pai decidiu que manteria os 2 mil e 200 hectares de mata intactos. “Era uma animal bobo, manso. Foi aniquilado”, conta. “Os barcos desciam os rios fuzilando as antas por puro divertimento”.
Entre as aves, as que mais sofreram com a caça e captura foram o macuco e o curió. O pior impacto para elas, no entanto, veio com o alagamento do reservatório da usina em 1962. Treze espécies – por exemplo, o araçari-banana, o tucano-de-bico-verde e a araponga – não toleraram a queda da oferta de frutas e sumiram da mata. Mas outras aves amantes da água, como as garças, apareceram. Veio até marreco da Patagônia, junto com seis espécies de patos até então inéditas na área. De acordo com os levantamentos que José Carlos pai começou a fazer há 50 anos sobre as aves da sua floresta, 351 espécies foram avistadas dentro dela. Trezentas e trinta e oito continuam frequentando suas árvores.
Carlos Leôncio conta que a última grande derrubada no terreno original da Barreiro Rico, já então dividida por cinco herdeiros de Nhô Nhô Magalhães, aconteceu em 1972. Mas a paisagem local continuou a sofrer modificações. As áreas urbanas de Piracicaba e Anhembi cresceram muito e seu clarão passou a dominar o horizonte noturno da região. Esse processo, de certo modo, ajudou a aumentar a pressão sobre os 2 mil e 200 hectares da floresta preservada. “Ela tem sofrido muito. A estrada que corta ela foi duplicada para dar vazão ao tráfego de caminhões que transportam cana”, diz. “E isso contribuiu para fragilizar suas bordas. Além disso, ela sofre invasões, principalmente de caçadores e, eventualmente, de madeireiros”.
Visitação
O filho seguiu o exemplo do pai. Simpático, muito bem educado e magro feito um dos milhões de pés de cana que hoje dominam o cenário rural ao redor de Piracicaba, ele virou um estudioso da conservação e mais especificamente da floresta de sua família. Fala dela não raro com a autoridade de um biólogo. “Esse remanescente é de vegetação semicaducifólia, em que parte das árvores perde as folhas no inverno, e era típica da altitude em que estamos, em torno dos 500 metros”, ensina. Quando entra na mata, no entanto, fica claro que a sua intimidade com ela vai muito além dos livros. É sobretudo familiar.
O filho seguiu o exemplo do pai. Simpático, muito bem educado e magro feito um dos milhões de pés de cana que hoje dominam o cenário rural ao redor de Piracicaba, ele virou um estudioso da conservação e mais especificamente da floresta de sua família. Fala dela não raro com a autoridade de um biólogo. “Esse remanescente é de vegetação semicaducifólia, em que parte das árvores perde as folhas no inverno, e era típica da altitude em que estamos, em torno dos 500 metros”, ensina. Quando entra na mata, no entanto, fica claro que a sua intimidade com ela vai muito além dos livros. É sobretudo familiar.
“Da borda até uns 1 mil e 500 metros à frente, nasce um cerradão”, diz. “Tem árvore alta, mas o tronco é fino. A vegetação é mais esparsa. O solo aqui é arenoso”. Carlos Leôncio sabe exatamente o ponto em que a floresta começa a encorpar. Mostra árvores mais grossas ao longo do caminho até ver um tronco de peroba, árvore nobre naquele ecosssistema. “Agora estamos no matão”, anuncia. A fauna do local ainda é razoavelmente diversa. Tem mamíferos (paca, queixadas), cobras ( jibóia, cascavél e coral) e as centenas de aves. Mas elas andam quietas nessa época do ano. “Estão na muda, trocando as penas para o inverno”, explica.
José Carlos, a quem essa bicharada deve muito por ainda ter onde morar no interior de São Paulo, morreu em 2003. O seu quinhão da Barreiro Rico foi dividido entre os cinco filhos. Cada um levou um pedaço razoável da floresta, cerca de 160 hectares, incluídos nos 800 hectares recebidos de herança. O resto da floresta se espalha por outras 8 fazendas, 6 delas ainda em mãos de descendentes da família Magalhães. E a boa notícia é que Carlos Leôncio decidiu abrir o lugar a visitantes que não têm credenciais científicas, mas carregam no sangue a mesma paixão do pai por árvores e por aves. Por enquanto, a maior parte das pessoas que se aventuraram a visitar o local são estrangeiros levados para lá por guias especializados.
Eles parecem ter mais consciência do que é o privilégio de poder entrar numa área no interior de São Paulo onde espécies nobres de árvores, como a peroba, ainda podem crescer sem estar sob risco iminente de serem derrubadas. Carlos Leôncio torce para que, um dia, essa equação se inverta e a frequência naquela floresta seja na maior parte de brasileiros. Se você, leitor, quiser contribuir para essa mudança e visitar um pedacinho do que sobrou da paisagem original do país, a sua viagem pode começar pela internet. No site de sua fazenda, Carlos Leôncio informa tintim por tintim o que se deve fazer para chegar até a sua solitária floresta.
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