26 de maio de 2010

Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba

Na bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba a escassez de água é um problema grave que piora a cada ano, principalmente no período de estiagem. Em 2003 a vazão do Rio Piracicaba chegou a apenas 11 m³/s. Pior ainda, o volume de água armazenada do sistema Cantareira caiu assustadoramente a 1,6%. Esta enorme queda de vazão dos rios da região está associada à baixa vazão, chegando, muitas vezes, até ao secamento completo das nascentes. O problema da escassez de água, não tem sido devidamente valorizado  é real e é muito mais sério do que pode imaginar um cidadão comum, não iniciado nos problemas hidrológicos.

Muito se tem feito para resolver este problema, porém, muitíssimo ainda tem que ser realizado para se ter resultados modificadores significativos, em função do enorme passivo ambiental-hidrológico já instalado.
Muitas propostas são sugeridas, discutidas e executadas, porém, nem sempre são de mérito ou executadas adequadamente. Junto ao cidadão comum, principalmente agricultor, pouco ainda se discute as verdadeiras causas do problema, de forma sistemática, na linguagem adequada, com conteúdo e com capacidade de sensibilização.
Na bacia do Piracicaba, Capivari e Jundiaí, o problema se estabelece porque há um enorme consumo e muito baixa disponibilidade hídrica.
Por outro lado, a dificuldade na solução inicia-se porque tem-se um exagerado escorrimento superficial das águas pluviais. Este é, no primeiro momento, o problema fundamental da problemática hidrológica. Isso é testemunhado pelo que se segue: No dia 01/10/2001 - a vazão do rio Piracicaba era de 22 m³/s. No dia 02/10/2001 foi para 108 m³/s e no dia 03/10/2001 subiu mais ainda, para 364 m³/s. Em apenas dois dias, a vazão elevou-se em 1554%.

Esses dados registrados pelo do DAEE de Piracicaba apontam, de forma inconteste, que um volume enorme de água está sendo desperdiçada, ou seja, atinge o solo e, ao contrário de seguir o caminho adequado e desejado - infiltrar-se no solo, percolar pelo perfil, recarregar o lençol freático ou aqüíferos confinados e ser liberada, aos poucos para as nascentes, córregos ribeirões, e rios - está escorrendo morro abaixo, promovendo a erosão laminar, assoreando nascentes e rios, espraiando as águas aumentando a taxa de perda de água direta para a atmosfera por evaporação, provocando enchentes, rompimento de barragens e outras catástrofes sociais e, por fim, abandonando a microbacia ou bacia hidrográfica sem ter sido aproveitada.

Nesse quadro, o nível do lençol freático vai abaixando, e as nascentes vão secando. Tudo isso, em termos de volume de água, ocorre no meio rural. Assim, o agricultor é o principal personagem a ser envolvido, conscientizado e capacitado na busca de toda e qualquer ação mitigadora de relevância. É ele o verdadeiramente, produtor d'água. No entanto, o sistema produtivo que foi empregado no passado esse mesmo personagem (da mesma forma que o cidadão urbano) tem colaborado, enormemente, para a degradação da capacidade de preservação da água. desmatamento exagerado, plantio de culturas inadequadas nas regiões montanhosas e cabeceiras, conservação de solos inadequados com a formação de processos erosivos, etc., tem levado ao quadro de escassez hídrica e são os principais problemas que hoje tem que ser enfrentados nas principais bacias hidrográfica do país . E é essa uma das principais causas da escassez de água na bacia hidrográfica do Piracicaba, Capivari e Jundiaí.

Um comentário:

  1. Marlene Simarelli26/05/2010 12:09

    Pessoal, é verdade que a agricultura está contribuindo com o problema da água.

    Mas o que assombra é que inúmeras nascentes estão sob solos pavimentados, sob empreendimentos imobiliários liberados em locais que são verdadeiros mananciais de água.

    Cadê a informação sobre isto? Onde está a cobrança às autoridades para, pelo menos respeitar a lei de não construir em encostas, em cabeceiras de morro e às margens dos corpos de água?

    A lei ambiental em relação à água vale somente para a zona rural? E o Código Florestal também?

    A macrometrópole (São Paulo-Campinas) não tem nenhuma influência? Basta lembrar que a terra da garoa não tem mais garoa porque secou todas as várzeas e Campinas seguiu o mesmo caminho.

    Está na hora da cobrança recair também sobre as cidades, onde se concentra a maior quantidade de usuários da água e os maiores desrespeitos ambientais!!!

    Marlene Simarelli

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