21 de janeiro de 2010

Cavernas do Petar

É possível conscientizar as pessoas sobre a importância das cavernas explicando a sua formação?
Felipe Abreu Sabino 




A região do PETAR é rica em cavernas, e elas têm uma enorme importância para a região. Além de fazer parte de um ecossistema, muitas pessoas da região vivem do turismo devido às cavernas e à beleza natural do local.

A formação geológica do PETAR é calcária. O calcário é uma rocha sedimentar, isto é, forma-se através de “restos” sob pressão. No caso, o calcário é formado por carapaças e ossos de animais marinhos, que foram se depositando no fundo do mar e com o tempo compactadas. Com o movimento das placas tectônicas, essas camadas de calcário emergiram dando origem ao que é hoje a formação geológica do PETAR.


Hoje em dia, é possível comprovar, observando a caverna Santana, indícios de que isso ocorreu, pois há áreas em que visualizamos lâminas, que são como “listras” na parede que foram resultado da compactação das carapaças e ossos dos animais marinhos, que vieram a emergir.


Outro fator que indica que ocorreu o movimento das placas tectônicas é uma rara espécie de camarão que vive na Gruta do Lago Azul que pode ser encontrada na África. Portanto, é possível ter acontecido a separação dos continentes devido ao movimento das placas tectônicas.


O calcário é uma rocha frágil à acidez. Dessa forma, um ácido leve o dissolve facilmente. E é a partir disso que as cavernas calcárias se formam.


Como o PETAR é uma área de mata Atlântica, é característico da região que haja um alto teor de umidade, e devido a isso, ocorrem muitas chuvas. A água da chuva, ao entrar em contato com a atmosfera da mata Atlântica, mistura-se com o gás carbônico (CO2) gerando um ácido leve, chamado ácido carbônico (H²CO³). Ao chegar ao solo da mata Atlântica, a concentração desse ácido vai aumentando, pois como é rico em matéria orgânica, esse solo tem muitos fungos, bactérias e outros decompositores, que também liberam gás carbônico. Também são misturados com ácido carbônico, ácidos desses decompositores que potencializam a acidez. Quando esse ácido chegar no calcário, ocorrerá uma reação química e o calcário será dissolvido.


A água proveniente de chuva ou de rios abre pequenas frestas no calcário, e vão descendo até as cavernas. Junto com essa água desce a calcita dissolvida, que é o mineral que gera os espeleotemas. Ao gotejar, o CO2 se desprende, a calcita cristaliza dando origem a estalactites, ou estalagmites, ou se ficar muito tempo gotejando irá unir uma estalactite com uma estalagmite formando uma coluna, e desse modo vão se formando os diversos espeleotemas.


“ É possível conscientizar as pessoas explicando a formação das cavernas. Muitas pessoas vão ao PETAR e pensam que tudo aquilo apareceu por mágica, simplesmente estava ali. Isso não é verdade, e já foi citado como as cavernas se formam, suas formações demoram MUITO tempo. Cada espeleotema demora milhares de anos para ser formado, e muitos turistas desconcientizados, arrancam um pedacinho de lembrança. Aquele “pedacinho insignificante” demorou centenas de anos para se formar, e demoraria mais centenas de anos para se reconstituir, ou não se reconstituiria.


Hermeto Pascoal, um músico mundialmente famoso que compôs a Sinfonia do Alto do Ribeira, provavelmente não sabia muito bem quanto tempo demorou para se formarem aquelas cortinas que ele destruiu para gravar seu disco, ou simplesmente se deu o luxo de as “destruir”.

Os turistas estão ficando mais conscientizados em ralação aos cuidados que devem ter ao de deslocarem no interior das cavernas, pois o guia explica a importância das cavernas, e toda sua formação. Assim, muitos visitantes começaram a respeitar as cavernas, pois admiraram sua formação e compreenderam sua importância, mas muitos ainda vão lá e ficam com a vontade de pegar “lembrancinhas”. Isso já é outro problema — a doença humana de destruir.


Fontes:
Formação de cavernas e espeleotemas:
- Cavernas - Clayton F. Lino
- Cavernas – Mario D. Domingos
André C. A dos Santos.
- www.pick-upau.com.br
Reportagem citada obtida na revista Terra ou pelo site:
www.uol.com.br/caminhosdaterra/reportagens/128_amazonia_subterranea.shtml



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